MCT - O Tempo do Caminho Crítico da Manufatura

Antonio Marchesini | 02/06/2020 

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp

O Tempo do Caminho Crítico de Manufatura (MCT) é a métrica de lead time utilizada no QRM, desenvolvida para se visualizar com precisão o impacto das atividades de engenharia e elaboração de projetos, processamento dos pedidos, aquisição de matéria-prima, produção, expedição e entrega, no prazo de atendimento dos pedidos de clientesEssa métrica tem como foco não só a responsividade da empresa, mas como ela é alcançada, permitindo que se descubram novas oportunidades de melhoria ao destacar o desperdício de todo o sistema, tais como estoque de produtos acabados e de componentes parcialmente concluídos.

Definição do MCT

A própria conceituação de lead-time é parte integrante do Quick Response Manufacturing, pois quando se busca reduzir o lead-time, a primeira coisa a fazer é medir e avaliar o seu valor atual para identificar pontos de melhoria.

A definição clássica de lead-time comumente utilizada na Engenharia de Produção como sendo: “O tempo decorrido desde o instante que um pedido é efetuado por um cliente até o momento em que a encomenda é recebida pelo cliente”, não é a mais adequada para a finalidade do QRM, por apresentar duas desvantagens significativas:

  • Não ajuda a entender e eliminar o desperdício de todo o sistema, e
  • Não dá qualquer indicação de como o atendimento do pedido é alcançado.

Em outras palavras, a definição tradicional do lead-time centra-se estritamente em um único resultado.

É sabido que estoques de produtos acabados ou de materiais em processos podem resultar em lead-times mais curtos, no entanto, esses inventários representam desperdício de capital de giro e podem gerar desperdício ainda maior se um problema de qualidade é descoberto pelo cliente ou se ocorrer alguma alteração de projeto que requeira descarte ou retrabalho do material estocado, ou ainda, se a demanda cair significativamente abaixo do que foi previsto e o inventário não puder ser usado por um longo período.

Da mesma forma, se a demanda exceder em muito a previsão de vendas e os componentes estocados se esgotarem, o lead-time do fornecedor pode se alongar significativamente além do prazo previsto, resultando em insatisfação do cliente ou mesmo perda de vendas.

Nenhum desses problemas é capturado pela definição tradicional de lead time, por causa disso, a abordagem do QRM entende que é necessário dispor de um indicador de lead-time que tenha como foco o resultado e como ele é alcançado.

O QRM considera que o lead-time é o tempo que um produto demora para atravessar todas as operações requeridas dentro da cadeia de suprimentos, e dessa forma, estoques são, na verdade, filas que aumentam esse tempo de atravessamento e não os diminuem.

A métrica de lead-time utilizada no QRM é o “Tempo do Caminho Crítico da Manufatura” ou MCT (Manufacturing Critical-path Time), definido como:

“A quantidade de tempo, contada em dias corridos, desde a data em que o cliente emite o pedido, passando pelo caminho crítico, até que a primeira peça do referido pedido seja entregue ao cliente”.

Essa definição leva o gestor a considerar todas as etapas que um pedido percorre até chegar ao cliente, fazendo-o pensar em formas de se reduzir o tempo total por meio da eliminação ou pelo menos redução das esperas ao longo do MCT.

Ressalta-se, ainda, na definição que a contagem do MCT inicia com a criação da ordem pelo cliente, porque é a partir daí que começa a contagem do tempo na visão do cliente.

Na mensuração do MCT se considera como ponto de partida a primeira peça de um pedido, para assegurar uma medida consistente do tempo, independentemente do tamanho do pedido. Isso é particularmente importante para se identificar oportunidades de melhoria.

O MCT precisa ser medido em dias corridos do calendário e não em dias de trabalho da empresa, porque é assim que o prazo de entrega é medido pelos clientes.

A próxima frase na definição – “através do caminho crítico” – é fundamental para o uso correto do MCT para os objetivos do QRM. “Caminho crítico” para o MCT é mais do que essa frase tipicamente significa em gerenciamento de projetos.

O MCT não somente quantifica a duração do caminho crítico mais longo das atividades do atendimento do pedido, incluindo o processamento do pedido, planejamento de materiais, programação, manufatura e logística, mas também quantifica o tempo desperdiçado no sistema.

Especificamente, há três regras importantes para serem seguidas no cálculo do caminho crítico para o MCT:

  • Deve-se assumir que todas as atividades são executadas “desde o início”.

Isso significa, por exemplo, se você normalmente fabrica componentes internamente, estoques desses componentes pré-fabricados não podem ser usados para reduzir o valor do MCT. Deve-se incluir o tempo que levou para produzir os componentes desde o início.

  • É necessário incluir todas as filas normais, esperas e atrasos de movimentação que incorrem no trabalho, e não usar valores de trabalhos urgentes.
  • No valor do MCT deve-se adicionar o tempo gasto pelo material em qualquer estágio, inclusive estoques.

Se existirem pontos de estoque em qualquer estágio da operação, seja de matéria prima, material em processo (WIP), bens ou produtos acabados – deve-se adicionar a quantidade de tempo que tais materiais ficam esperando naqueles pontos de estocagem ao valor do MCT.

Observe que o MCT termina quando o pedido é entregue no ponto de recebimento do cliente. Isso implica que o MCT inclui o tempo de logística, o que é de particular interesse com a crescente ênfase em fornecimento global.

É importante quantificar o impacto que o tempo de logística exerce sobre a habilidade do fabricante em responder ao cliente.

Exemplo de Cálculo do MCT

Para ilustrar o conceito do MCT vejamos, na Figura A, um exemplo do processo fabril de uma indústria que produz transmissões mecânicas e adotando a estratégia de produção para estoque (make-to-stock), promete aos clientes que qualquer pedido será expedido em 3 dias. 

Fluxo para atendimento do pedido mostrando o MCT
Figura A - Fluxo do Processo

Quando a empresa recebe um pedido de compra do cliente, gasta-se 1 dia para processar e cadastrar o pedido, 2 dias separar o material, embalar e expedir a encomenda e a logística mais 3 dias para fazer a entrega. 
Neste caso pode se concluir que o MCT é 6 dias? 
–A resposta é não, uma vez que a análise não passou pelo caminho crítico e os tempos praticados acima dependem do uso de componentes pré-fabricados em vez de fazer as coisas do princípio.

Para calcular o MCT é preciso dar uma olhada dentro da fábrica, no processo como um todo.

Quando fazemos isso, vemos que a operação pode ser representada pela Figura B e o MCT (Tempo do Caminho Crítico da Manufatura) para este caso é 47 dias, ao contrário de 6 dias como muitos poderiam imaginar.

Cálculo do MCT: Tempo do Caminho Crítico da Manufatura
Figura B - Mapa do MCT

Um excelente exercício a fazer após conhecer o valor do MCT, é comparar a quantidade de tempo realmente trabalhado com o valor total do MCT.

Normalmente o tempo trabalhado representa uma fração muito pequena (menos de 5%) do tempo total.

Um mapa do MCT pode mostrar grandes quantidades de tempos de espera, onde nada acontece com o trabalho, podendo até surpreender os gestores e operadores da manufatura; motivando-os a tomar ações corretivas usando o método do QRM.

Para isso não é necessário que o valor do MCT seja extremamente preciso, basta que demonstre claramente a magnitude dos tempos de espera.

Um dos pontos fortes da métrica do QRM é que uma estimativa razoável basta. Assim ele pode ser facilmente calculado e sem muitos esforços organizacionais.

 

Este artigo é uma tradução livre adaptada do livro “It’s about Time: The Competitive Advantage of Quick Response” de Rajan Suri (2010)

Antonio Marchesini, PhD

Antonio Marchesini, PhD

QRM Center Brasil Founder
Consultor | Instrutor

Deixe um comentário

Cadastre-se na Newsletter

Não enviamos spam.
Você receberá somente mensagens com conteúdos novos.

Nosso propósito é disseminar a prática do QRM no Brasil para aumentar  a competitividade da indústria de manufatura brasileira

QRM Center Brasil 2020 © Todos os direitos reservados