Afinal o que mede o Lead Time

Antonio Marchesini | 26/05/2020 

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Antes de reduzir o lead time na sua empresa, você precisa encontrar uma maneira adequada de medi-lo
… que forneça uma visão acurada do tempo de atravessamento dos pedidos na empresa para identificar áreas de melhorias nas operações internas e na cadeia de suprimento.

Na abordagem do QRM, a redução do lead time deve direcionar tudo: o entendimento do seu negócio, as decisões gerenciais e os indicadores de desempenho, então é normal que ao se adotar essa linha de pensamento surjam alguns questionamentos a respeito do lead time:

  • O que é exatamente “lead time” —mais especificamente, como é definido de forma precisa?
  • Por que se deve focar prioritariamente na redução do lead time, —Isso pode ser claramente justificado para o nosso negócio?
  • Como usar o lead time invés de custo como o principal direcionador para tomada de decisões e medida de desempenho?

As respostas para essas perguntas são cruciais para o sucesso de sua jornada QRM e se sua métrica de lead time é ambígua, resultará em uma mensagem confusa para o restante da organização, podendo até parecer manipulação, dependendo da forma que é reportada.

Se não estiver completamente claro o porquê você deve focar na redução do lead time, você acabará retornando para a tradicional tomada de decisão baseada em custo, mas se você seguir o caminho de usar o lead time como direcionador de esforços, precisará de mecanismos que o traduzam em ações especificas.

Vamos analisar a questão, iniciando com a primeira pergunta: o que é “lead time”?

Essa não é uma questão trivial, pois em uma empresa de manufatura existem diferentes lead times, incluindo:

  • Lead time externo: o lead time percebido pelos clientes;
  • Lead time interno: o tempo que os trabalhos (produtos) levam para percorrerem o seu fluxo através da organização;
  • Lead time estimado: a estimativa de prazo que o pessoal de vendas fornece para os clientes;
  • Lead time de planejamento: o valor usado para cada passo da rotina no sistema de MRP ou ERP da empresa;
  • Lead time do fornecedor: o tempo que leva para se obter o material dos fornecedores.

Esses são somente alguns exemplos, existem muitos outros lead times na empresa. Para embasar a afirmação de que as questões anteriores não são triviais, veja as duas primeiras definições de lead time e considere o exemplo de um fabricante de eixos.

Essa companhia fornece eixos para um fabricante de equipamentos agrícolas. A empresa leva 8 semanas pra produzir um lote de eixos, começando com um estoque de barras de aço e prossegue através de múltiplas operações de fabricação incluindo tratamento térmico, usinagem e operações de acabamento. Isso é o lead time interno na lista acima.

Essa mesma empresa, mantém um estoque dos seus eixos acabados permitindo que ao receber um pedido de um cliente consiga atender e despacha-lo dentro de 2 dias. Se o cliente estiver próximo o pedido chega no dia seguinte. O lead time percebido pelo cliente é 3 dias.

Isso é o lead time externo na lista acima. A questão para o QRM é: devemos considerar o lead time como 3 dias ou 8 semanas?

Agora suponha uma linha de produção de eixos fabricados com um liga especial, cujo lead time do fornecedor é 10 semanas. Normalmente essa empresa mantem estoque de matéria prima da liga, para não afetar as operações internas da empresa caso ocorra algum imprevisto.

Esse inventário custa dinheiro, mas se a empresa ficasse sem esse material devido a um planejamento incorreto ou demando não prevista, esse lead time afetaria a operação. Pode-se ou não incluir essas 10 semanas na sua métrica de lead time.

Para atender as necessidades e o foco da estratégia do QRM, foi desenvolvida uma métrica de lead time chamada de Manufacturing Critical-path Time (MCT) que unifica as várias diferentes medidas de lead time e o foco do QRM sempre requer o MCT como métrica.

Se você se interessou pelo assunto e gostaria de aprender mais sobre QRM e o MCT, acompanhe os próximos posts no nosso Blog.

Este artigo é uma tradução livre adaptada do livro “It’s about Time: The Competitive Advantage of Quick Response” de Rajan Suri (2010)

Antonio Marchesini, PhD

Antonio Marchesini, PhD

QRM Center Brasil Founder
Consultor | Instrutor

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